sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Inábil

Vejo ali quieta
Dona M.
Quietinha,
coitadinha
O que ela tem?

Melancólica e calada
Com os olhos ela fita o ar
Olho-a e com os olhos digo:
Dona M. não fique assim docinho
Ela apenas observa o vento

Me sinto impossibilitada
Vem aqui
Vem, converse com os meus olhos
E ela desviava

Senhorita
Que há?
Ela diz:
Não

E parecia que ali estava resumida toda uma vida
Numa só palavra
E eu a pergunto
O que houve?
Ela diz:
Não

Aquilo me deixava espalhada aos ventos
Despedaçada
Aquele olhar tão cruel
Tão solitário
E eu aqui sem poder fazer nada
Olho-a e ela diz:
Não

Fabiane Araújo

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